MOVIMENTOS CULTURAIS E SOCIAIS

A cultura em Nova Iguaçu nunca foi um acessório, mas uma ferramenta de sobrevivência e afirmação. Durante as décadas de 80 e 90, surgiram cineclubes, grupos de teatro de rua e coletivos de artes visuais que desafiavam a lógica do "centro versus periferia". O que aconteceu em Nova Iguaçu nesse período foi a prova de que a periferia não era apenas um lugar de carência, mas um centro produtor de inteligência política.

Nova Iguaçu, entre as décadas de 1970, 80 e 90, não foi apenas uma periferia da Região Metropolitana do Rio de Janeiro; foi um dos mais pulsantes laboratórios de democracia e inovação social do Brasil. Enquanto o país buscava respirar após o longo período da ditadura militar, o solo iguaçuano fervilhava com uma organização popular que se tornaria referência nacional e internacional. É imperativo registrar que o corpo de imagens e documentos referente aos movimentos sociais e culturais das décadas de 80 e 90, ora em processo de sistematização, tem sua origem institucional vinculada ao CEAC – Centro de Estudos e Ação Comunitária, instituição que assessorava os movimentos sociais na época (atualmente extinta). Estes registros não foram produzidos de forma isolada, mas como parte integrante da metodologia de atuação do CEAC, que à época funcionava como um centro de inteligência e suporte para as lutas populares na Baixada Fluminense.

Foi nesse cenário que o Movimento de Amigos de Bairro (MAB) ganhou escala, articulando a luta por saneamento, asfalto e luz com a luta pelas liberdades civis. A cidade não apenas pedia melhorias urbanas; ela exigia o direito à cidadania plena, servindo de base para a fundação de partidos políticos e centrais sindicais que liderariam a redemocratização.

Nova Iguaçu foi berço de movimentos que mudaram a legislação brasileira. O exemplo mais emblemático é o Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) e as articulações que deram origem a grupos de proteção à infância e juventude. Em uma época em que a violência era usada como controle social, a articulação da Baixada Fluminense levantou a voz contra os esquadrões da morte e o extermínio, pautando o debate ético sobre a vida que influenciou diretamente a redação da Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A cidade ensinou ao país que a democracia se constrói na base: na reunião das associações de moradores e moradoras, no ensaio do grupo de teatro, na plenária do sindicato e na roda de conversa das mulheres. Esse período de glória e luta é o alicerce de projetos como o "NOSSA GENTE". Ao registrar hoje os rostos e as histórias desses agentes não estamos apenas capturando imagens, mas salvaguardando o DNA de um povo que, entre os anos 70, 80 e 90, provou que os movimentos sociais juntos a arte e a cultura são as ferramentas mais poderosas de transformação social.

MEMÓRIAS DE NOVA IGUAÇU ANOS 80/90

A redemocratização do Brasil não teria o mesmo rosto sem a experiência acumulada nos fóruns, fólios e assembleias de bairro da cidade. Os movimentos sociais iguaçuanos ensinaram ao país que a democracia não se faz apenas com o voto, mas com a ocupação do espaço público e a organização coletiva. A contribuição de Nova Iguaçu para a redemocratização do Brasil é imensurável.

Em processo de sistematização

GREVE GERAL 1989

ENCONTRO DE MULHERES ANOS 80

APRESENTAÇÃO TEATRAL ANOS 90

MANIFESTAÇÕES DO MAB ANOS 80

TEATRO NOS BAIRROS ANOS 80

LÍDERENÇAS COMUNITÁRIAS ANOS 80

O acervo é constantemente alimentado à medida que novas camadas de informações são validadas e sistematizadas. A ausência momentânea de determinados momentos ou lideranças não significa falta de registro, mas sim que estas memórias ainda estão sob os cuidados técnicos necessários para a sua devida salvaguarda. Estamos diante de um quebra-cabeça histórico cujas peças estão sendo repostas, uma a uma, com a paciência e o rigor que a memória de Nova Iguaçu e a luta popular dos movimentos sociais e culturais demandam

3º CONGRESSO DO MAB 1983

5º CONGRESSO DO MAB 1987

4º CONGRESSO DO MAB 1985

A recuperação deste acervo é, portanto, o resgate da memória visual de uma vasta diversidade de movimentos sociais e culturais que serviram de pilar para a formação de lideranças e para a articulação de políticas públicas pioneiras na região. Reorganizar este material significa devolver à esfera pública os registros de uma época em que a Baixada Fluminense pensava e projetava o futuro do país.

É fundamental que o observador compreenda que o material aqui apresentado não esgota a totalidade dos registros existentes. O que se vê é apenas um recorte inicial, uma amostragem qualificada de um vasto patrimônio documental que ainda atravessa etapas rigorosas de tratamento, digitalização e catalogação. Portanto, este espaço deve ser interpretado como uma obra em progresso.

Trata-se de um organismo vivo de pesquisa, onde cada nova imagem recuperada preenche uma lacuna na historiografia de Nova Iguaçu. Este esforço contínuo de sistematização reafirma o compromisso de garantir que a história das lutas populares e das expressões culturais da nossa gente permaneça acessível, organizada e, acima de tudo, preservada contra o apagamento do tempo.

Em processo de sistematização